Quando escolhi esse filme no meio da extremamente diversa filmografia dos Irmãos Coen, eu não sabia bem o que esperar. Nem mesmo a partir do momento em que comecei a assistir o filme. Quando comecei a construir minhas expectativas e apostas para o enredo, ele de novo me coloca numa posição onde eu não sei o que devo esperar. E Isso mais de uma vez ao longo do filme. A grande questão no fim das contas é: como foi que eu consegui gostar de um filme que me deixou com mais perguntas do que respostas?
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| Why does He make us feel the questions if He's not gonna give us any answers? |
Um Homem Sério se passa em 1967 e conta a história de Larry Gopnik, um professor de física judeu íntegro e honesto que nunca fez mal a ninguém. Larry vive num calmo subúrbio de Minnesota com sua esposa Judith, com uma filha cuja única ambição na vida é fazer uma cirurgia plástica no nariz, um filho emaconhado e seu irmão inútil e inconveniente. De um dia pro outro, sua vida aparentemente perfeita começa a desmoronar diante dos seus olhos: sua mulher pede o divórcio ao se apaixonar por outro homem, trazendo-o para morar com a família, expulsando Larry e seu irmão para um hotel; seu vizinho começa a construir um puxadinho em cima da propriedade dos Gopnik; um estudante oferece suborno para ser aprovado e, diante da recusa de Larry, ameaça processá-lo por difamação; seu irmão é preso por participar de jogos de azar e, por fim, cria-se a suspeita de que Larry possa estar com alguma doença grave. Desprovido de toda e qualquer base familiar e atolado nas dívidas com advogados, só resta a Larry recorrer à fé e à sabedoria dos rabinos para encontrar uma solução ou no mínimo um sentido para essa torrente de acontecimentos. Mas logo ele descobre que simplesmente pode não haver uma resposta.
O aspecto mais interessante desse filme na minha opinião é a impressão que ele te passa de que não será um enredo difícil de entender. Eu achei que estava no controle, até que o filme simplesmente terminou, me deixando desolado e sem entender nada. No fim das contas, o filme estava sendo difícil e complexo bem embaixo do meu nariz. Num primeiro momento me senti enganado, como se tivesse perdido algo no caminho. Depois de ler um pouco a respeito do filme, vi que sua compreensão é particularmente difícil para os não-judeus e não-conhecedores da Bíblia ou do Torá, além de finalmente me dar conta de que ele trata meramente sobre a completa incerteza da vida, seja sob o ponto de vista físico, metafísico ou espiritual; unindo de certa forma o pensamento científico, o religioso judaico e o simples senso comum para reafirmar essa tese (!!!). 'Tá bom, parece ser tudo uma grande bosta então' Sim, parece ser uma grande bosta no fim das contas, como tudo o que eu falei de Donnie Darko ali atrás, mas não é.
Apesar de toda a confusão por trás, o filme é incrivelmente agradável e envolvente. A bela fotografia e os curiosos personagens -com destaque para o pobre protagonista- dão vida a um enredo recheado de fábulas judaicas e histórias secundárias interessantes, ainda que não tenham um significado claro (algumas delas intencionalmente). Também são frequentes as sequências de sonho e os pequenos-grandes incidentes que permeiam a vida de Larry e sua família de uma forma quase banal. A divisão da segunda parte do filme entre os três rabinos para os quais Larry pede ajuda é um artifício interessante e ajuda o expectador a acompanhar a digestão que Larry faz dos conselhos muitas vezes inúteis ou inexistentes que lhe foram dados.
No fim das contas, a única lição concreta que consigo tirar do filme é a de que Deus trabalha em caminhos misteriosos. Mas eu gostaria de ouvir a opinião de algum judeu a respeito.
Nota: 8,5

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