Ontem foi um dia particularmente difícil pra selecionar um filme. Vasculhei toda a pasta de downloads e nada parecia despertar meu interesse imediato. Então concluí que o que eu queria ver era justamente a única coisa que não havia lá: uma comédia leve. Afinal de contas, depois de dias de superproduções épicas, de enredos intrincadamente geniais e de alguns dramas, tudo o que eu precisava era dar uma relaxada. Em total contraste ao filme anterior, decidi assistir a comédia francesa Le Prénom (no Brasil, 'Qual é o nome do Bebê').
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| Alexandre? Albert? Arthur? Alban? Agnan? Artemis? |
Le Prénom retrata um fatídico jantar feito em homenagem à Vincent, um quarentão com um mórbido senso de humor que acaba de descobrir o sexo do seu primeiro filho. No entanto, sua irmã, uma professora da rede pública; seu cunhado, professor da Sorbonne, e seu amigo de infância, um trompetista profissional; são negativamente surpreendidos pela escolha do nome do bebê. A discussão em torno do nome acaba tomando dimensões inesperadas, trazendo à tona inúmeras questões sensíveis ao grupo e jogando uns contra os outros.
O início do filme e a apresentação dos personagens contam com um estilo de narração muito semelhante ao visto n'O Fabuloso Destino de Amélie Pouláin (uma das minhas poucas referências em cinema francês, infelizmente), me fazendo pensar que eu teria que me acostumar à frequente participação do narrador. Mas não foi o caso. Apresentados os personagens, o filme se mantém completamente focado em excelentes diálogos feitos de forma rápida e dinâmica, o que seria uma crítica positivíssima se eu fosse francês, mas infelizmente sou apenas um aluno do básico 1 e sofri um pouco pra acompanhar o texto. Passando-se quase que inteiramente dentro do apartamento de Pierre e Élisabeth, o filme muitas vezes parece ser um desses gravados todos num único take, algo que, dada a força do elenco, eu não duvidaria ser possível.
Depois dos diálogos, os pontos mais fortes do filme sem dúvida são seus personagens marcantes, apoiados pelo talentoso elenco. Com todos muito bem amadurecidos e educados, a discussão desenvolve-se de forma bastante divertida e inteligente, auxiliada pelo caráter extremamente temperamental de cada um dos personagens. No começo é fácil pensar que toda a briga seria dominada pelos egocêntricos Vincent e Pierre, mas cada personagem, desde os mais calados e contidos, acaba tendo sua chance de mandar um falatório ou uma revelação capaz de calar a todos.
Eu realmente achei o filme uma experiência muito divertida e proveitosa, ficando feliz pela escolha. É um desses filmes que logo dá vontade de assistir de novo. Le Prénom é bem recente, e provavelmente deve fazer uma breve passagem pelo Brasil (se já não tiver feito, de tão breve que essas passagens costumam ser). Assistam se tiverem a chance. Mas, pelo amor de Deus, não joguem fora quase duas horas de um francês furiosíssimo assistindo dublado.

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